Quarta-feira 22 de Outubro 2003, 18h00

Lançamento de O preto de coração branco de Arthur Japin e de A canção sublime de um talvez de Arjen Duinker

Livraria Bulhosa
Campo Grande, 10b, Lisboa
Tel. 217 994 194

‘Raramente o impacto imediato e mágico da arte foi tão grande’, afirmou um crítico acerca da obra literária de Arthur Japin. Japin escreveu para teatro, rádio e televisão e, em 1996, estreou-se na literatura com um livro de contos. Um ano depois, ganhou fama internacional com o seu primeiro romance, O preto de coração branco, que lhe rendeu vários prémios literários e o consagrou como autor literário. Este romance histórico conta a história trágica de dois príncipes ashanti, Quasi e Quame, que, em 1837, foram levados para a Holanda como presente para o rei Guilherme I. Em O preto de coração branco (Teorema, 2003), factos e ficção misturam-se, produzindo um livro magistral e emocionante. O preto de coração branco foi traduzido em muitas línguas e é o primeiro romance de Arthur Japin em tradução portuguesa.
Desde a sua estreia, em 1988, Arjen Duinker é considerado como uma das vozes mais originais e marcantes da poesia neerlandesa actual. Nos poemas de Duinker, a realidade de coisas e objectos, naturais ou fabricados, é descrita de uma maneira que se subtrai categoricamente às abstracções e que recusa a mediação de pensamentos ou emoções. ‘Se me dás abstracções / Eu dou-te um leque em madeira’. E:‘Nada me é mais estranho do que uma solidariedade de sentimentos / Através do pensamento.’
No plano nacional e internacional, a sua poesia marcante, traduzida em várias línguas, tem recebido muitos elogios. No âmbito de um projecto de tradução de poesia, um poema seu, ‘A pedra floresce’, foi traduzido para nada menos do que 240 línguas. De Arjen Duinker acaba de sair em português a colectânea A canção sublime de um talvez (Teorema, 2003).

Quinta-feira 23 de Outubro 2003, 10h00

Sessão de abertura da Expolíngua Portugal 2003
Orador convidado: Gerrit Komrij

Auditório 1 do Forum Telecom
Av. Fontes Pereira de Melo, 38
Tel. 213 117 000

Expolíngua Portugal 2003 – 14º Salão Português de Línguas e Culturas com a presença do Neerlandês como lingua convidada, onde, entras outras, a Foundation for the Production and Translation of Dutch Literature e a Flemish Foundation for Literature estarão representadas.

PROGRAMA PARALELO

Terça-feira 21 de Outubro 2003, 18h00
Livraria Bulhosa

‘Pessoa a duas vozes’, leitura de poesia de Fernando Pessoa em português e em neerlandês, por Filipe Ferrer e Lut Caenen.

Terça-feira 21 de Outubro 2003, 21h00
Cinemateca Portuguesa

Exibição do filme De tweeling/Twin sisters, baseado no romance homónimo de Tessa de Loo. Com a presença da escritora e do realizador Ben Sombogaart.

Quarta-feira 22 de Outubro 2003, 21h00
Teatro São Luís, Jardim de Inverno

'De Camões a Slauerhoff', concerto de Cristina Branco.

Quinta-feira 23 de Outubro 2003, 21h00
Cinemateca Portuguesa

Exibição do filme Vallen/Falling, baseado no romance homónimo de Anne Provoost. Com a presença da escritora.

Quinta-feira 23 de Outubro 2003, 18h30

África, o meu continente perdido
Mesa-redonda com os autores Adriaan van Dis, Moses Isegawa e Arthur Japin. Moderador: Arie Pos

Casa Fernando Pessoa
Rua Coelho da Rocha, 16-18
1250-088 Lisboa
Tel. 213 968 190

Moses Isegawa deixou o seu país natal, o Uganda, para dedicar-se na Holanda à escrita do ‘grande romance africano’. Logo com o primeiro livro cumpriu a sua promessa. Crónicas Abissínias (Temas e Debates, 2001) foi um êxito instantâneo, calorosamente recebido pela imprensa internacional. O Süddeutsche Zeitung caracterizou o livro como ‘a história de uma família e de uma comunidade, uma narrativa de tradições e costumes africanos, um caleidoscópio de fantasias, contos fantásticos e sonhos’.
Adriaan van Dis é um escritor que procura o confronto com a outra cultura. Este empenho inquiridor e os conflitos que faz surgir ganham forma em muitos dos seus livros, desde o seu romance de estreia Nathan Sid ao seu livro mais recente Doença de família. O confronto entre duas culturas é também uma presença forte no relato da sua viagem pela África do Sul, A terra prometida (Dom Quixote, 2003).Van Dis identificase com o ‘perdido’ continente africano, que não obstante descreve sem lhe poupar críticas. Não só o racismo aberto dos brancos é censurado, mas também o desdém pelos direitos humanos, a corrupção e as relações feudais dentro das comunidades negras. Depois de Em Africa; romance de viagem (Dom Quixote, 1998), A terra prometida é o segundo livro de Adriaan van Dis a ser publicado em Portugal.
Moses Isegawa, Adriaan van Dis e Arthur Japin entram em debate sobre África como fonte da imaginação literária.

‘Novas vozes – Escritores dos Países Baixos e da Flandres’, organizado pela Foundation for the Production and Translation of Dutch Literature e a Flemish Literature Fund, é parte integrante das “Jornadas de Cultura Neerlandesa” (10-26 de Outubro) organizadas pela Embaixada Real dos Países Baixos em Lisboa, por ocasião da Expolíngua Portugal 2003 (23-25 Outubro), onde o neerlandês é língua convidada. Para mais informações visite o site www.emb-paisesbaixos.pt

Quinta-feira 23 de Outubro 2003, 21h30

Poesia neerlandesa e portuguesa
Com a participação de Gerrit Komrij, Arjen Duinker e Ana Hatherly. Moderador: Casimiro de Brito.

Casa Fernando Pessoa

‘A poesia não é apenas um propulsor de sonhos, um esconjurador de ansiedades, um ressuscitador de mortos, ela é também o curandeiro mais acessível e generoso’ segundo as palavras do escritor, ensaísta, tradutor, satírico e, acima de tudo, poeta, Gerrit Komrij, sem dúvida um dos autores mais produtivos da língua neerlandesa. A sua vasta obra é extremamente variada, mas mostra ao mesmo tempo uma forte coesão. Embora esteja repleta de impulsos contraditórios, mesmo as suas escritas mais mordazes denotam o seu empenho numa expressão íntegra e autêntica – em expressões culturais que, através da sua coragem, humor ou energia, põe em causa o quotidiano ou minam o previsível. A obra rica em tensões que assim se construiu foi galardoada com numerosos prémios literários e valeu ao autor recentemente a eleição como ‘Poeta Laureado’. Neste serão de poesia, Gerrit Komrij, Arjen Duinker e Ana Hatherly, lêem poemas e trocam impressões sobre a poesia neerlandesa e portuguesa.

Sexta-feira 24 de Outubro 2003, 17h30

Lançamento de A terra prometida de Adriaan van Dis

Livraria Bulhosa

Apresentação da tradução do livro de Adriaan van Dis A terra prometida (Dom Quixote, 2003) com a presença do escritor e sessão de autógrafos no final.

Sexta-feira 24 de Outubro 2003, 18h30

Ode à juventude
Com a participação de Anne Provoost e Arne Sierens. Moderador: Arie Pos.

Casa Fernando Pessoa

A autora Anne Provoost é uma das vozes mais importantes e inovadoras da literatura juvenil flamenga. Estreou-se com A minha tia é uma baleia (Afrontamento, 2002), romance onde um tema controverso (o incesto) é tratado de uma forma natural e aberta e que foi unanimamente apreciado pelo estilo controlado e esmerado e pela profundidade psicológica. Também nas suas obras posteriores, como no muito elogiado romance Queda, que aborda temas como o extremismo e o racismo, mostra não fugir ao diálogo com a actualidade. A minha tia é uma baleia é a primeira obra de Anne Provoost em tradução portuguesa.
Arne Sierens é já um monumento do teatro contemporâneo flamengo. Escreveu e levou à cena um número de 'evergreens' que provocaram espectáculo no panorama teatral flamengo. Os textos dramáticos de Sierens são cada vez mais representados no estrangeiro. Assim, a controversa peça Nem todos os marroquinos são ladrões fez grande sucesso em Paris. A obra de Sierens também é conhecida em Portugal. A companhia de teatro Artistas Unidos de Lisboa encenou com êxito O meu Blackie e Os irmãos Geboers (O meu Blackie e outras peças, Campo das Letras, 2002). O semanário Expresso e Blitz proclamaram-nas as melhores produções de 2001.

Sexta-feira 24 de Outubro 2003, 21h30

'Na Holanda não quero viver' – Escritores holandeses sobre Portugal.
Com a participação de Gerrit Komrij e Tessa de Loo. Moderador: Simon Kuin.

Casa Fernando Pessoa

‘Na Holanda não quero ficar, / Atrofiaria, sufocado’, escreveu o poeta e médico de bordo holandês J.J. Slauerhoff que, graças às suas viagens marítimas, esteve muitas vezes em Portugal e desenvolveu um grande amor por Lisboa e Porto. Dois autores contemporâneos que trocaram a Holanda por uma existência em Portugal são Gerrit Komrij e Tessa de Loo. Komrij até evocou o país em livros: Atrás dos montes (Asa, 1997) e Um almoço de negócios em Sintra (Asa, 1999). Tessa de Loo tornouse de um dia para o outro uma escritora popular com o seu primeiro livro, a colectânea de contos As meninas da fábrica de doces, apreciada pelo público leitor pelo estilo directo e acessível e pelos enredos cativantes. Ganhou renome internacional com o romance As gémeas, entretanto editado em muitas línguas e dentro em breve a ser publicado em tradução portuguesa pela Gótica. As gémeas foi recentemente adaptado ao cinema (ver programa paralelo). Tessa de Loo vive alternadamente em Paris e Loulé. Com Gerrit Komrij troca impressões sobre o viver e escrever em Portugal.